A NOVA CARA DA MÚSICA CEARENSE #5: FILIPE FLAKES

//Artista multifacetado, Filipe Flakes vai da música ao circo em produção autoral e autêntica //

Talvez Filipe Flakes exista para comprovar que não há limites na forma de se expressar por meio da arte. Nos palcos ele encontra espaço e motivação para realizar projetos musicais solo e também em parceria com outros artistas. Se veste de palhaço, viaja em turnê, cria um sem números de projetos paralelos independentes, se transforma e reinventa. Filipe Flakes é incansável e não se prende a padrões.

Seja com a banda inteira vestida de palhaços para o projeto Orquestra Palhaçal, em trajes de si próprio cantando as histórias das mulheres que povoaram e povoam sua mente nas apresentações do show Mulheres que Cantei sem Cantar, ou dentro do projeto Subverso Coletivo, Flakes defende e investe numa arte que não se limita às linguagens. Suas apresentações vão de Fortaleza à São Paulo num caleidoscópio de experiências e misturas que fazem do artista um camaleão surpreendente e impressionante.

Na entrevista a seguir ele fala de inspirações, musica autoral, do cenário musical cearense, de incentivos do poder público e nos conta um pouco das suas inúmeras formas de ser.

O Filipe Flakes é um artista multifacetado. Toca em projetos solo, com parceiros, é artista circense no projeto Orquestra Palhaçal, um dos vários que promove. De que forma a junção dessas faces te define como artista? Como foi o início de sua carreira e como se descobriu plural?

Sou um cara inquieto, insone e que ama a arte e tenta se expressar através dela, independente da linguagem. Minha carreira iniciou em 2003 e eu já amava teatro, mas nunca me senti a vontade pra fazê-lo. Quando descobri o circo em 2008, encontrei uma válvula de escape pra outras expressões. Uma forma dos meus outros “eus” falarem.
Sobre as parcerias, eu nunca acreditei que eu poderia chegar a algum lugar sozinho, somado com o tanto de ideias e verdades diferentes que sinto necessidade de gritar (e algumas noites mal dormidas), vi que nem tudo cabia no meu trabalho, e daí veio a necessidade de criar projetos paralelos para encaixar e manifestar tudo isso. Somos plurais, ninguém gosta ou faz uma coisa só na vida, e como minha vida é a arte, ela acaba se tornando plural. Pra mim, é um movimento natural.

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Você comumente está fazendo shows em São Paulo. Como se dá essa ponte entre as duas cidades? Como é a recepção do público paulista a um artista cearense?

A música cearense é bastante respeitada em SP, ao meu ver. Acredito que isso facilitou muito essa conexão. A ponte com a terra da garoa iniciou quando eu fui tocar em um festival em Sorocaba há alguns anos, e desde então mantive os shows em SP na minha agenda fixa anual. Hoje, boa parte dos shows que faço lá são empreendidos e, aos poucos, tenho sentido uma resposta do público super positiva.

Como você analisa a produção autoral da música cearense atualmente? Algum dos artistas da cena cearense te influencia? Qual deles você destaca como grandes nomes?

Não é de hoje que a música cearense é boa e produz bons frutos. Temos grandes nomes aqui, alguns que já conseguiram destaque nacional, e outros que ainda não, mas tem feito um trabalho consistente. Sempre digo que todos me influenciam. Sou um entusiasta da produção autoral, consumo e sempre que posso, vou a shows de artistas locais. Mas eu posso citar aqui (e correr o risco de ser injusto com os que provavelmente esquecerei) alguns dos novos nomes cearenses como Camila Marieta, Lorena Nunes, Felipe de Paula, Fernando Catatau, Daniel Groove, Rivera, David Ávila…

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Quais os desafios do cenário musical cearense? Você analisa positivamente ou negativamente as perspectivas? Há palcos suficientes para que os artistas locais se apresentem? Há incentivo do poder público?

Eu acredito que o grande desafio ainda é gerar a cultura da valorização da produção autoral. Há alguns anos as pessoas preferiam ir a shows covers, tributos e de artistas de fora, hoje isso tem mudado e a tendência é melhorar ainda mais.
Sinto falta das casas e bares de Fortaleza dando mais espaço à música que é produzida aqui. Os palcos que recebem bandas autorais ainda são poucos, e isso é ruim porque acaba saturando um pouco alguns locais e eventos.
O poder público tem apoiado através de editais e leis de incentivo (apesar da luta que é receber o cachê de alguns editais). Vale destacar o trabalho incrível do Dragão do Mar e seus eventos e o Porto Iracema das Artes.

Hoje (27/04) você apresentará o projeto “Mulheres que cantei sem cantar”. Qual a particularidade desse projeto? Sexta-feira (30/04) é a vez da apresentação com a banda Subverso Coletivo. Pode nos falar qual o diferencial entre as duas apresentações?

O “Mulheres que cantei sem cantar” é um projeto muito legal que nasceu em uma conversa lá em casa com o amigo, músico e compositor Davi Rodé. Nós temos basicamente o mesmo processo criativo: escrever inspirado em mulheres. Quando encontramos esse ponto em comum, logo de cara dissemos um ao outro que precisávamos fazer algo com isso. Então compilamos essas canções e criamos o show/projeto. É um show completamente auto biográfico, onde escancaramos nossas vidas e histórias de uma forma bem leve e descontraída, também contando algumas histórias que originaram as músicas.
O Subverso Coletivo é a banda que me acompanha praticamente desde o início da minha carreira (apesar de ter recebido esse nome apenas no lançamento do álbum “O que importa”), sexta no Rock Cordel é o show que temos rodado divulgando nosso álbum “O que importa”. No “Mulheres” entrou músicas que eu não toco com o Subverso e vice-versa, e a diferença seria basicamente o que eu falei lá no início da entrevista, são verdades diferentes, ditas de forma diferente, por facetas diferentes do Filipe.

Quais seus planos pro futuro, para qual horizonte a sua carreira está apontando atualmente?

Meu plano pro futuro é continuar. Eu amo arte, não vejo minha vida fora dela e digo sem medo de errar: a arte salvou minha vida. A prioridade é continuar rodando com o show “O que importa” aqui em Fortaleza e no segundo semestre fazer uma circulação por outras cidades. Paralelamente os outros projetos continuam, de forma independente e convergindo também.

 

 

[+] Você pode conhecer mais do trabalho de Filipe Flakes dentro do projeto Filipe Flakes e O Subverso Coletivo clicando aqui. As multifacetas do artista, os diversos projetos e a agenda de shows você acompanha acolá.

[+] Hoje (27/04) o artista apresenta o projeto Mulheres que Cantei Sem Cantar em parceria com Davi Rodé. O show começa Às 21h no bar Bolacha Mágica (Rua Barão do Rio Branco, 2926 – Centro – Fortaleza/CE)

[+] Sexta-feira (29/04) é dia de Filipe Flakes apresentar o show O que Importa em parceria com O Subverso Coletivo no Centro Cultural Banco do Nordeste a partir das 18h.

*Imagens: Divulgação/ Filipe Flakes

Marina Solon é jornalista, leitora, questionadora e adora uma boa conversa. Escreve também no Mosaico e no Pauta Livre News. Existe virtualmente aqui.

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