A NOVA CARA DA MÚSICA CEARENSE #7: CÔMODO MARFIM

//Com quatro anos de existência, a banda caririense Cômodo Marfim lança, amanhã, seu primeiro álbum de estúdio. Vem provar desse som!//

Colegas desde os tempos de colégio, Demogenes Siqueira, Filipe Lisboa, Alberto Dias, Lázaro Omena e Gabriel Machado, já faziam um som e esboçavam as primeiras composições nas horas livres entre as aulas. Depois de passarem por outros projetos musicais, o grupo de amigos se reencontrou e fez nascer a banda Cômodo Marfim. Pouco depois, em maio de 2013, aconteceu sua primeira apresentação, no projeto Armazém do Som do Sesc-Juazeiro do Norte, e desde então, os garotos não param de tocar nos palcos da noite caririense.

As influências são as mais diversas possíveis. “Especialmente nesse primeiro disco, devido boa parte das canções terem sido compostas individualmente”, explica Gabriel. Ele conta, ainda, que o som da Cômodo Marfim é uma mistura do rock dos anos 60, com presença de folk, unido ao rock alternativo do cenário mais atual.

Neste sábado, 2 de julho, eles lançam o primeiro álbum de estúdio. Intitulado de “A Cabeça Estendida na Viga do Braço”, o trabalho é fruto de um financiamento coletivo. O título é, como o próprio encarte esclarece, é um estado de espírito. “Maior do que uma frustração ou quebra de expectativa, e mais profunda do que uma dor de cotovelo, da qual é uma manifestação crítica e irreversível.” Quem produziu a arte do disco foi o designer e amigo dos integrantes, Philipe Thayslon. Foi passado ao artista o que o título do disco transmitia aos integrantes da Cômodo Marfim e ele traduziu o sentimento por sua ótica psicodélica. Nós, da Nonata, precisamos admitir: não poderia ter ficado melhor.

O que faz a Cômodo Marfim ter equilíbrio e harmonia em palco?

Os integrantes da Cômodo Marfim trazem consigo uma gama de influências que vão do erudito ao indie rock atual, trazendo para dentro da musicalidade da banda todas essas influências de forma simples e democrática. Mas a harmonia em palco que a banda adquiriu vem principalmente das exaustivas horas de ensaios e discussões que sempre aconteciam e acontecem dentro da produção de cada detalhe das músicas, afim de fazer um som que não fuja do preestabelecido como musicalidade que adotamos para a banda. Além disso, os integrantes gozam de uma amizade de anos e compartilham do mesmo sonho de estar na estrada fazendo música, tornando assim muito fácil o convívio e o entendimento de cada um relativo aos rumos da banda.

As duas primeiras composições do álbum trazem o contexto da dor de um amor que não vingou. As letras são inspiradas em situações reais ou pura ficção poética dos integrantes?

A inspiração para compôr parte sim nem que seja de um pingo de verdade que serve como estopim para o eu poético se encarregar do restante. A partir disso você define o quanto se mantém fiel a realidade ou deixa a letra ser moldada pela inspiração. Contudo um detalhe, o poeta tira sua inspiração não só de si, mas dá observação das coisas ao seu redor. Às vezes ocorre uma mistura de um pouco de cada coisa no processo, que é o que ocorre para essas duas músicas.

O primeiro álbum da banda surgiu  de um financiamento coletivo. Quais foram os maiores desafios que foi para transformar esse sonho em realidade?

Primeiramente grana! Lançar um disco de qualidade é bastante oneroso. Um tremendo desafio para músicos independentes. O Catarse foi uma ferramenta importantíssima nesse sentido, onde pessoas que acreditaram no nosso trabalho puderam ajudar a diminuir boa parte desse custo. Mas não se resume a isso. São muitas etapas desde a produção, captação de áudio, mixagem e masterização, artes do disco, prensagem, muita coisa que a gente não tinha experiência e foi desenrolando entre tropeços e acertos. No fim foi um grande aprendizado e acreditamos que o disco atingiu a expectativa de quem nos ajudou na concretização do mesmo.

Qual a cara da música que está sendo feita pelas novas bandas cearenses?

É difícil rotular em um único aspecto a música cearense contemporânea, pois o regionalismo que impera em outros estados nordestinos não é a nossa marca mais forte. Diria que temos uma confluência de estilos estimulada pelo rock, dialogando com a música nacional, que, apesar da qualidade duvidosa do mainstream e do jabaculê, consegue se preservar e se reinventar absorvendo o antigo e dando novas perspectivas.

Qual a principal dificuldade para as bandas independentes? Há palcos suficientes para que os artistas locais se apresentem? 

O Ceará, bem sabemos, não tem um incentivo cultural tão forte no que se refere às bandas independentes, no âmbito governamental. No entanto, espaços culturais como os SESC’s e Centro Cultural do Banco do Nordeste têm contribuído decisivamente para estimular a formação de plateias e abertura de editais de seleção a projetos musicais alternativos, no qual a nossa banda

Amanhã, 2 de julho, acontecerá o lançamento do primeiro álbum de estúdio da banda. Quais são as expectativas para o futuro da Cômodo Marfim?

A concretização desse disco representa para nós um grande passo no amadurecimento musical e a oportunidade de poder divulgar nosso trabalho. O objetivo principal agora é fazer com que nosso som chegue a cada vez mais pessoas. Em virtude disso, nosso disco está disponível gratuitamente para download no nosso site: www.comodomarfim.com. Almejamos também expandir poder tocar em outros lugares e assim divulgar nosso trabalho. Nesse mês de Julho faremos nosso primeiro show fora do Ceará, que será em Souza-PB e estamos instigados com isso. Para finalizar, já estamos a cada show lançando músicas novas que não entraram nesse disco, o que já nos faz projetar a necessidade de retornar em breve a gravar mais um material. Quem sabe um novo EP.

Serviço:

Lançamento de “A Cabeça Estendida na Viga do Braço”

Sábado, 2 de julho – 22h

Casarão Boteco – Rua Coronel Antônio Luiz, 1300 (Crato, Ceará).

[+] Você pode conhecer mais do trabalho de Lorena Nunes no site oficial da banda, no Facebook e também no Youtube.

*Imagens (Divulgação/Cômodo Marfim)

Erika Neves é jornalista, couchsurfer, tutora de um gatinho laranja mimado e não viaja sem uma câmera a tiracolo. É boa de garfo e pra ganhar seu coração, basta que a alimentem.

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